Taxa de saneamento básico é integrada na factura da luz

12:08

Depois de 92 dias em funções e de um aturado diagnóstico sobre Luanda, o governador provincial, Higino Carneiro, voltou a falar dos principais problemas que afetam a cidade capital.

Desde a sua tomada de posse até à data, ocorreram situações dramáticas, como é o caso epidemiológico da febre-amarela e malária. Apesar disso, a atividade quotidiana na cidade continua.
Na sua primeira conferência de imprensa, realizada ontem, nas instalações do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing de Administração, Higino Carneiro anunciou para o final deste mês a entrada em funcionamento das cinco empresas de recolha de resíduos sólidos e limpeza da cidade de Luanda que ganharam, entre nove, o concurso público.
As empresas Odebrecht, Queiroz e Galvão, Nova Ambiental, Mota Engil, através da Visa West, e a Elisal. Uma equipa técnica finaliza as negociações. A Queiroz e Galvão vai operar no município de Luanda, a Visa West no município de Belas, a Odebrecht em Cacuaco, a Nova Ambiental em Viana e a Elisal vai operar no município do Cazenga.
Os cidadãos residentes e as empresas sediadas na capital do país passam, em breve, a pagar uma taxa de lixo que vai estar acoplada ao pagamento do consumo da energia eléctrica. “Para os que não têm energia, vão estar sujeitos à cobrança direta por via de um talão com o qual devem ir efetuar o pagamento a um banco”, disse o governador. 

A taxa é estratificada, o que significa que não vai ser uniforme. Os munícipes do Icolo e Bengo e Quiçama passam a pagar uma taxa de 500 kwanzas mensalmente, enquanto os de Cacuaco, Viana e Belas passam a pagar 1.500 kwanzas. Os munícipes de Luanda e seus distritos (Talatona, Nova Vida e Benfica) vão pagar dez mil kwanzas mensais e os residentes em condomínios passam a pagar 15 mil kwanzas. 

A estratificação nas taxas vai incidir também nas empresas. As pequenas vão pagar entre 15 e 20 mil kwanzas. As médias 35 e as grandes empresas vão passar a pagar 150 mil kwanzas mensais.
Sobre o défice no fornecimento de água, Higino Carneiro disse que esta só vai ser solucionada em 2019 e sobre a energia, disse que o fornecimento melhora em Junho, com a entrada em funcionamento do ciclo combinado do Soyo e da Barragem de Cambambe.
O governador provincial anunciou para breve o ingresso em regime especial de 22 mil novos funcionários públicos nos domínios da educação, saúde e ensino superior. O objectivo é suprir o actual défice nessas áreas.

Segurança pública

Quanto à segurança na capital do país, Higino Carneiro reconheceu haver ainda algumas arestas por limar e voltou a sublinhar que o “poder é para ser exercido e não mendigado”, aventando a possibilidade de num futuro breve criar-se uma polícia municipal que responda aos problemas da criminalidade a nível local.
O governador minimizou as informações segundo as quais o crime cresce em proporções alarmantes na cidade de Luanda e afirmou, com base em dados, que são praticados uma média de 12 a 25 crimes por dia numa cidade com mais de seis milhões de habitantes. “Os órgãos de comunicação mediatizam bastante o crime, parecendo que já estamos no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Reconheço que a Polícia não está em todos os bairros”, notou.

Três meses em funções


O governador provincial disse não estar satisfeito com os mais de 90 dias em função, mas prometeu que vai continuar incansável para melhorar a qualidade de vida dos munícipes de Luanda. Quanto à situação nas morgues de Luanda, principalmente a do Hospital Josina Machel, o governador reconheceu que a situação não é boa, já que tem apenas uma capacidade de 175 gavetas, o que não responde ao actual quadro em que se vive uma epidemia de febre-amarela e de malária. Diante disso, Higino Carneiro falou na possibilidade de serem criados centros alternativos de higiene e tratamento de cadáveres para fazer face ao actual quadro.
“Estamos a viver uma epidemia e quando se trata de epidemia, as mortes acontecem em catadupa”, disse.
Sobre a bacia de retenção de águas pluviais, o governador voltou a falar na necessidade de se fazer uma intervenção de engenharia para resolver em definitivo o problema que a Avenida Deolinda Rodrigues enfrenta.
O tema da zunga foi uma das questões levantadas na conferência de imprensa. O governador lembrou que existem em Luanda 64 mercados e destes apenas 24 estão a ser utilizados. “Temos de normalizar o comércio. As zungueiras sabem da existência desses mercados. Mas insistem em vender à beira das estradas e na rua. Quem vende deve pedir autorização na administração”, sublinhou.
O governador aproveitou a ocasião para endereçar condolências às famílias das três crianças que morreram num apartamento na Cidade do Kilamba.

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