Mulher aparece no seu proprio funeral, depois de marido a ter mandado matar

20:35
Marido pagou a quantia de 7 mil dólares australianos para que matassem a sua propria mulher com quem tinha 8 filhos, por motivos ate agora desconhecidos. Mas os homens contratados por “dó” não o fizeram, porque acreditavam não ser certo matar mulheres e também por conhecerem  o irmão da vítima. 
“Surpresa, estou viva!” Foi com esta frase que Noela Rukundo se apresentou no seu próprio funeral, deixando o marido em estado de choque. E não era para menos, pois Balenga Kalala não só pensava que a mulher tinha morrido, como tinha pago quase sete mil dólares australianos para que ela fosse morta.
O marido estava tão incrédulo que até tocou no ombro da esposa para garantir que a mulher era bem real. “São os meus olhos? É um fantasma?”, questionou Kalala, com as mãos na cabeça, segundo descreve Noela Rukundo à BBC. O marido ainda tentou pedir desculpa, mas a mulher chamou a polícia. O insólito aconteceu há cerca de um ano e Kalala acabaria por confessar, tendo sido condenado a nove anos de prisão, no final de 2015, segundo o site australiano ABC.
Cinco dias antes de ter aparecido no seu funeral, Noela Rukundo deveria ter sido morta. O casal vivia em Melbourne na Austrália. Ela tinha deixado o Burundi e Kalala era um refugiado da República Democrática do Congo. Conheceram-se há 11 anos quando os serviços socials designaram Kalala para ajudar Rukundo que não falava inglês. Acabaram por se casar e tiveram três filhos. Rukundo já tinha cinco filhos de uma outra relação.
A mulher explicou que chegou a conhecer do passado do marido: tinha fugido dos rebeldes que atacaram a aldeia onde vivia, tendo assassinado a mulher e o filho. “Eu sabia que ele era um homem violento, mas não acreditava que ele podia matar-me”, declarou ela.
Noela Rukundo regressou ao Burundi para estar presente no funeral da sua madrasta. Estava num hotel na capital Bujumbura, quando ao final da tarde o marido ligou-lhe incentivando-a para não se deitar cedo, mas sair e “apanhar ar fresco”. Rukundo assim o fez, mas quando saiu foi surpreendida por um homem armado. “Não grites. Se começares a gritar eu mato-te. Eles vão apanhar-me, mas tu? Tu já estarás morta”, ameaçou o homem que a levou para um carro, onde foi vendada.
Já num edifício, amarrada a uma cadeira, Rukundo recorda que ouviu vozes. Alguém acabou por se dirigir a ela: “Mulher, o que fizeste para este homem pagar para nós te matarmos?”. Sem perceber a quem se referiam, foi então confirmado que Balenga Kalala tinha pago para a mulher ser assassinada. Rukundo não acreditou, mas então ouviu um telefonema e reconheceu a voz do marido: “Matem-na.” Rukundo desmaiou.
Apesar de terem recebido quase sete mil dólares australianos, os homens não mataram Rukundo, tendo-lhe explicado que não acreditavam em matar mulheres e porque conheciam o seu irmão. Deixaram-na numa estrada, dando-lhe um telemóvel e dinheiro.
Noela Rukundo pediu ajuda à embaixada da Bélgica e do Quénia e conseguiu regressar à Austrália. O marido já tinha anunciado a morte de Noela no acidente trágico e foi quando família e amigos estavam na casa do casal a confortar Kalala que Rukundo apareceu. Esperou no carro até que o marido se despediu das últimas pessoas para então o confrontar.
Com oito filhos e a receber ameaças da comunidade congolesa por ter denunciado o marido, Noela Rukundo salientou à BBC que continua a ouvir a voz de Kalala a mandar matá-la. No entanto, garante: “Vou reagir como uma mulher forte. A minha situação, o meu passado? Já passou. Vou começar uma vida nova.”

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